TL;DR — Resumo rápido
- Produzir o Beyond Kenlo foi o maior projeto que liderei. Mas a história que importa é a que aconteceu no palco.
- Saímos de um CRM com radar de cinco parâmetros para uma camada de inteligência com 88 campos por imóvel. Isso muda tudo.
- Anunciamos LYA (SDR omnichannel), Oráculo (IA de jornada de leads), Kenlo Studio com Rumm, Matrícula na Mão, KIB e APIs abertas — e consolidamos parcerias com Iconatus, Orbitare, Quires, Laik, PH3A, QuintoAndar e Google Cloud.
- Para o corretor, o recado é direto: o tempo de resposta deixou de ser medido em minutos, e o CRM que só “registra” não é mais suficiente.
- Para quem lidera marketing no setor, fica uma lição: o presencial não morreu — ele ficou mais importante justamente porque o digital virou IA.
Introdução
Tem experiências profissionais que dividem a sua carreira em antes e depois. Liderar a campanha da Kenlo no Beyond foi uma delas para mim.
Quando aceitei o desafio de produzir a nossa presença no Beyond The Club, sabia que não ia ser pequeno. O que eu não sabia é que, ao final, a história que eu ia querer contar não seria exatamente sobre o evento. Seria sobre o que o evento revelou — sobre a Kenlo, sobre os parceiros, e sobre para onde o mercado imobiliário está caminhando.
Este texto é um pouco das duas coisas. Tem bastidor, tem aprendizado de gestão, tem carinho pelo time. Mas, sinceramente, o que ficou mais forte em mim quando o teatro esvaziou foi outra coisa: a sensação de que anunciamos ali, em algumas horas, uma mudança estrutural no que significa operar uma imobiliária em 2026.
Vamos por partes.
1. Quando aceitamos o desafio, sabíamos que não era só sobre um evento
1.1. Por que o Beyond? Por que agora?
A parceria com o Beyond The Club não era só uma ação comercial. O Beyond é um projeto único — um clube de 70 mil metros quadrados dentro de São Paulo, com praia artificial, ondas perfeitas, teatro, coworking, pet club, kids club. Apenas três mil títulos, sem reemissão. Um ativo raro, num formato que o Brasil não via há oitenta anos.
Antes de qualquer movimento operacional, a pergunta que fizemos foi outra: faz sentido um CRM imobiliário entrar de cabeça num projeto como o Beyond? A resposta veio rápido quando olhamos para a base. O público do Beyond é exatamente o tipo de cliente que já passou pelas imobiliárias Kenlo em algum momento — muitas vezes adormecido, esquecido em uma ficha antiga.
Aí nasceu a primeira ideia que se tornou tese do evento: e se a Kenlo pudesse identificar, dentro das bases dos seus clientes, as pessoas com perfil real para um produto como o Beyond, respeitando LGPD e blindando o dado, e disparar campanhas no nome de cada imobiliária?
Virou uma ponte entre tecnologia e mercado. O tipo de coisa que, dois anos atrás, seria só uma boa ideia. Hoje, com IA madura e com a base de comportamento que construímos em quinze anos, virou produto.
1.2. O briefing que guiou tudo: ecossistema, comunidade, inteligência
Quando sentei com o time para pensar a campanha, três palavras guiaram cada decisão: ecossistema, comunidade e inteligência.
Ecossistema, porque o evento não seria só sobre a Kenlo. Seria sobre os parceiros — Iconatus, Orbitare, Quires, Laik, PH3A, QuintoAndar, Google Cloud, Rumm — todos no mesmo palco, falando com os mesmos clientes. Isso exigiu uma coreografia de marketing diferente do que a gente estava acostumado. Não era amplificar uma marca. Era orquestrar várias.
Comunidade, porque a palavra “cliente” não dava mais conta do que a Kenlo virou. Somos mais de 8.500 imobiliárias em 950 cidades no Brasil. Isso não é um software. É uma rede.
Inteligência, porque o fio condutor do evento — e do próximo ciclo da empresa — é IA. E isso pedia uma narrativa que não fosse superficial. Não dava para entrar no palco e falar de “chatbot com IA” como se fosse novidade. Tínhamos que mostrar, na prática, produto rodando.
2. Os bastidores: como se constrói um evento com dez parceiros no palco
2.1. A correria boa: o time que fez acontecer
Vou ser sincero: produzir o Beyond Kenlo foi um dos maiores desafios operacionais que já enfrentei. Foram cerca de dois meses de preparação para um evento que envolvia recepção, credenciamento com QR code, café da manhã, roteiro de palco com múltiplos blocos, transmissão ao vivo no YouTube, tour pelo clube, almoço patrocinado, dez parceiros com apresentações próprias, brindes customizados por imobiliária, placas com QR inteligente para cada cliente — e ainda uma estrutura de leads captados em tempo real durante o evento.
O que fez a diferença foi o time. Do marketing ao produto, do comercial ao CS, do financeiro ao jurídico, passando pela operação, cada pessoa segurou uma pontinha. Nos dias que antecederam, tinha gente revisando roteiro às 23h, trocando mensagem sobre cor de camiseta, testando QR de placa, rediscutindo posição de câmera. Nada disso cabe em um Gantt bonito. Mas é disso que evento é feito.
2.2. O improviso como estratégia (e o plano B que virou plano A)
No dia, como sempre acontece, tivemos variáveis que fugiram do controle. O site que mostrava em tempo real a adesão das imobiliárias travou na primeira tentativa de apresentação. Um ou outro clique ao vivo não funcionou.
E sabe o que eu aprendi ali? Em evento de grande porte, plano B não é contingência — é estratégia. Quem tenta blindar tudo acaba engessado. Quem prepara alternativas paralelas flui.
O Mickael (nosso CEO) subiu improvisando metade da apresentação porque os parceiros que vieram antes já haviam puxado parte do conteúdo dele. E ficou melhor por causa disso. Teve espontaneidade, teve respiro, teve risada. Ninguém na plateia percebeu como desorganização — percebeu como conversa.
Essa é uma lição de marketing que eu queria ter aprendido há cinco anos: a audiência não quer produção perfeita. Quer verdade, ritmo e densidade. O resto, a gente contorna.



3. O que realmente importou: o dia em que a Kenlo deixou de ser CRM
Aqui começa a parte do texto em que eu preciso trocar de chapéu. Saio do papel de head de marketing que produziu o evento e entro no papel de alguém que assistiu, da lateral do palco, o anúncio da próxima fase da empresa em que trabalha. E é honesto dizer: o que foi apresentado ali é, na minha leitura, a maior mudança de escopo da Kenlo em quinze anos.
Por quê? Porque deixamos de ser “um CRM com funcionalidades de IA” e passamos a ser uma camada de inteligência sobre o mercado imobiliário brasileiro, com um CRM como interface.
A diferença é sutil na frase, mas enorme no dia a dia.
3.1. Do “radar” de cinco parâmetros para o Oráculo com 88 campos por imóvel
Quem usa a Kenlo há algum tempo conhece o radar do cliente. Uma ferramenta que casava cliente e imóvel com base em cinco parâmetros — valor, número de dormitórios, pretensão, área, bairro.
Cinco.
O Mickael subiu no palco e literalmente pediu desculpas publicamente pelos últimos quinze anos. Porque agora, com o Oráculo, passamos a trabalhar com 88 campos por imóvel. O sistema analisa se o cliente visita mais de manhã ou mais à noite, em qual frequência, se clicou em imóveis de configurações diferentes do que declarou procurar, se visitou o mesmo condomínio mais de uma vez, se buscou piscina, se está em jornada focada ou trezentos e sessenta graus. Cruza isso com o comportamento dele no seu site, com o histórico em outras imobiliárias da rede (quando aplicável), e devolve uma leitura completa da probabilidade de fechamento — com explicação.
Não é um score cuspido sem contexto. É a jornada inteira exposta, com razão para cada conclusão.
E tem mais: o Oráculo olha para o seu estoque e, se o imóvel que aquele cliente realmente quer não está com você, te mostra qual imobiliária parceira dentro da comunidade Kenlo tem — para você abrir uma parceria e ratear comissão, em vez de perder a venda.
Se você já ouviu falar da tese do “MLS brasileiro”, é disso que estamos falando. Só que, desta vez, com IA no meio do caminho.
3.2. LYA, a nova SDR omnichannel — e por que o tempo de resposta deixou de ser medido em minutos
Uma das pesquisas citadas no palco ficou grudada na minha cabeça: o tempo médio de resposta de um corretor brasileiro a um lead é de 47 minutos.
Quarenta e sete.
Cada dez minutos a mais de demora derruba a conversão em até quatro vezes. Setenta e oito por cento dos compradores fecham com quem atende primeiro. Isso explica, em um slide, boa parte da frustração que o mercado reclama há anos: “leads ruins”, “portais que não convertem”, “corretor que não liga”. O problema, na verdade, é o relógio.
A LYA — nossa IA de atendimento, agora reconstruída em parceria com a Laik — entra aí. Ela qualifica o lead no primeiro contato, conversa pelo WhatsApp oficial (com o número da imobiliária, não do corretor), entende áudio, imagem, sentimento da conversa, e só encaminha para o humano quando é hora. O corretor recebe o lead já triado, com contexto, e decide se mantém a IA em paralelo ou assume sozinho. A qualquer momento ele pode habilitar ou desabilitar a LYA com um toque.
E aqui vai o detalhe que poucos sistemas no mercado entregam: todo o atendimento acontece no mesmo lugar em que o corretor faz gestão de lead, imóvel e proposta. Não é uma camada grudada no CRM. É o CRM, agora com atendimento embarcado.
Para o gestor, isso significa poder auditar cada conversa em tempo real. Para o corretor, significa parar de viver entre três abas e dois aplicativos. Para o cliente final, significa resposta em segundos, vinte e quatro horas por dia.
3.3. Kenlo Studio: anúncio e mobília em segundos, com a Rumm integrada
Conversei com um corretor durante o café da manhã do evento que me disse uma frase que resume bem o problema: “gasto 40 minutos para cadastrar um imóvel direito. Se eu tenho 30 para cadastrar no dia, volto pra casa tarde.”
O Kenlo Studio, apresentado pela Gisele, resolve isso. A IA lê as características do imóvel já cadastradas e o perfil dos clientes que têm aquele imóvel no radar, e gera o anúncio adequado em segundos. Não é um rascunho genérico — é um texto calibrado para o público que provavelmente vai ler.
E a integração com a Rumm (cujo case interno mostrou imóveis mobiliados virtualmente vendendo em dois meses e meio contra catorze meses da média) transforma fotos de apartamentos vazios em ambientes decorados. Tudo publicado direto no site da imobiliária, sem passar por uma terceira ferramenta.
É, de novo, a mesma lógica: tirar operação da mão do corretor para ele poder fazer o que humano faz melhor — atender.
3.4. Matrícula na Mão e o KIB: quando a IA resolve problemas que o mercado carregava há décadas
Duas dores antigas do setor foram atacadas no palco.
A primeira: 17% dos fechamentos não se concretizam por problema na matrícula. E 70% das matrículas têm algum tipo de ônus. Esse número, quando foi mostrado na tela, tirou um “humm” coletivo da plateia. Todo mundo sabe, na intuição. Ninguém tinha medido.
A resposta da Kenlo é a plataforma Matrícula na Mão. Você sobe o PDF da matrícula e a IA — que orquestra 18 modelos diferentes, incluindo o Gemini do Google — extrai tudo: endereço, CEP, cadeia dominial, ônus, riscos jurídicos, com nível de criticidade. Não substitui advogado. Mas economiza o tempo de triagem e permite qualificar o imóvel antes mesmo de entrar na base.
A segunda dor: inconsistência de cadastro. Quem já viu o mesmo prédio anunciado com quatro nomes diferentes, cinco configurações de infraestrutura e três contagens de andar sabe do que estou falando. A Kenlo analisou 36 milhões de anúncios na sua base e, com IA, consolidou isso em 7 milhões de imóveis únicos e 400 mil condomínios. Esse cadastro único — o KIB — resolve na origem um problema que o setor toleraria para sempre.
E talvez o mais importante: tanto o KIB quanto o Oráculo virão com API aberta. Não é só para cliente Kenlo. É para o mercado.
3.5. APIs abertas e parcerias: a lógica do Open Finance chegando ao imobiliário
Essa parte é a que, pessoalmente, mais me marcou. Porque ela diz algo sobre postura.
O Mickael fez uma analogia no palco: se os grandes bancos, que são competidores ferozes, conseguiram se sentar à mesa e criar o Open Finance, por que o mercado imobiliário não poderia fazer algo parecido? Por que a inteligência de uma base precisa ficar isolada numa imobiliária só, quando ela poderia ser compartilhada com governança, respeitando LGPD e gerando negócio para todo mundo?
As APIs abertas de Imob e Locação, anunciadas no evento, são o primeiro passo prático nessa direção. Qualquer parceiro, homologado ou não, vai poder se integrar. E os novos produtos de inteligência — Oráculo, KIB, Matrícula na Mão — serão oferecidos também em marca branca para concorrentes da Kenlo que quiserem consumir a camada de dados.
Para um mercado historicamente desconfiado de compartilhar qualquer coisa com qualquer um, isso é uma mudança cultural grande.
4. Por que isso redefine o que é um CRM “de verdade” em 2026
4.1. Um CRM agora precisa pensar pelo corretor, não só registrar
Durante muito tempo, CRM no imobiliário foi sinônimo de três coisas: cadastrar imóvel, cadastrar cliente, registrar interação. Uma planilha melhorada com interface bonita.
Essa definição morreu.
Um CRM que não qualifica lead, não sugere match, não analisa jornada, não gera o anúncio, não atende por WhatsApp oficial, não digitaliza matrícula e não conversa com o ecossistema de parceiros do mercado é, hoje, só um banco de dados. E banco de dados, o corretor médio já tem — no próprio celular.
O que vimos no Beyond Kenlo é uma redefinição do que um CRM precisa entregar. E eu arriscaria dizer que, daqui a dois anos, ferramentas que não tiverem essa camada de inteligência vão ser vistas como ferramentas de 2020.
4.2. Dado, contexto e ação: o tripé que separa uma ferramenta de uma inteligência
O que diferencia uma inteligência de uma ferramenta é a combinação de três coisas que, quando aparecem juntas, mudam o jogo:
O dado precisa existir e estar limpo. Quinze anos de base tratada da Kenlo — 8.500+ imobiliárias, 950+ cidades, milhões de anúncios e interações registradas: essa é a fundação.
O contexto é a camada de IA que entende o que aquele dado significa para aquele usuário, naquele momento, diante daquele cliente específico.
A ação é o que fecha o ciclo: mandar a mensagem certa, gerar o anúncio certo, propor a parceria certa, alertar sobre o ônus certo na matrícula.
Sem os três, o que você tem é ferramenta. Com os três, você tem um parceiro de operação.
4.3. O que muda para o seu cliente final
E aqui é onde a conversa fica pragmática. Porque no final, nada disso importa se o cliente final — quem compra, quem vende, quem aluga — não sentir diferença.
O que ele vai sentir:
Resposta em segundos, não em quarenta e sete minutos. Atendimento que não trava quando o corretor está numa visita, porque a IA segura o bastão. Anúncios com foto decorada, texto calibrado, informação precisa. Matrícula pré-analisada antes de ele fazer proposta. E, muitas vezes, o imóvel que ele realmente quer sendo oferecido pela imobiliária dele mesmo — mesmo quando o imóvel não está no estoque original.
Isso é o que o CRM de 2026 entrega. Não é futurismo. É o que começou a sair do palco para a prática dentro de algumas semanas.
5. O que levei do palco para a minha cadeira de liderança
5.1. Marketing não é sobre comunicar. É sobre construir pontes
A lição mais dura e mais bonita que o Beyond Kenlo me deixou é essa.
Um evento desse porte não é uma campanha de divulgação. É uma operação diplomática. Você precisa alinhar dez parceiros com dez agendas diferentes, negociar tempo de palco, proteger a experiência do cliente que veio assistir, entregar resultado comercial, preservar a mensagem institucional, e fazer tudo caber dentro do tempo de transmissão.
Não dá para fazer isso “comunicando”. Tem que fazer construindo ponte — entre parceiros, entre áreas da empresa, entre o cliente e a mensagem, entre o palco e o digital.
Marketing que só comunica virou commodity. O que diferencia hoje é quem consegue orquestrar.
5.2. A importância de eventos presenciais num mundo AI-first
Pode parecer contraintuitivo, mas saí do Beyond Kenlo com uma convicção reforçada: quanto mais IA o dia a dia tem, mais valioso fica o encontro presencial.
Porque IA resolve escala. Mas não resolve confiança. Não resolve energia coletiva. Não resolve aquele momento em que um corretor de Niterói encontra um dono de imobiliária de Fortaleza na fila do café e descobre que estão resolvendo o mesmo problema.
Quem reúne pessoas num teatro, num evento bem pensado, não entrega só informação. Entrega sensação. E sensação move decisão.
Pra quem tá em marketing no setor imobiliário pensando se vale a pena investir em evento num mundo de ads hiperpersonalizados: vale. Mais do que antes.

Durante as apresentações do Beyond Kenlo, a plateia acompanhou em primeira mão os lançamentos que marcam a nova fase do CRM imobiliário.
6. Conclusão: o que vem depois do palco
Quando o teatro esvaziou e o time começou a desmontar estrutura, bateu aquele cansaço de quem fez muito em pouco tempo. Mas bateu também uma certeza.
O Beyond Kenlo não foi sobre um clube. Não foi só sobre uma campanha. E, sinceramente, nem foi só sobre o que a Kenlo apresentou.
Foi sobre um momento do mercado em que tecnologia, comunidade e coragem se encontraram. Em que ficou claro para todo mundo que estava no teatro — e para quem assistiu de casa — que o mercado imobiliário brasileiro entrou em um ciclo novo. Um ciclo em que o CRM pensa, a IA antecipa, a parceria vira protocolo e a experiência do cliente final volta para o centro.
Como head de marketing, saí de lá com a mesma sensação que tive no Cupola Summit no ano passado, só que multiplicada: poucas coisas são tão gratificantes quanto ver uma equipe inteira acreditar e construir algo tão significativo junta.
Seguimos. Com um time mais forte, uma plataforma mais inteligente e uma comunidade mais conectada do que nunca.
O palco acabou. O trabalho começou.